segunda-feira, 18 de maio de 2015

A Luz do Altíssimo

Confesso que minha religiosidade nunca fora das mais fortes. Durante as aulas da catequese, quando criança, eu tentava prestar atenção nas lições que nos eram apresentadas, mas não posso afirmar que tinha plena consciência da importância daquelas palavras.

De qualquer modo, a espiritualidade estava ali presente. E, mesmo tendo levado décadas para que tomasse forma, sempre cultuei em meu interior a benevolência de um ser mais elevado. 

Após o medo inicial da Umbanda, coisa que a maioria dos adeptos e frequentadores relatam sentir antes de conhecê-la melhor, minha parte materialista, que eu carinhosamente denominava como "ceticismo pedante", fez com que eu ancorasse minhas emoções num patamar de racionalismo que me permitisse sentir seguro.

Mas a espiritualidade tem seus meios próprios e, conforme a capacidade de aceitação de cada um, vai se revelando para que seus filhos possam trilhar os caminhos da fé da melhor forma possível.

Assim, nas primeiras giras que frequentei, fui tomado pela coragem e curiosidade confessa da experiência transcendental, ainda que me considerasse "comum" demais pra servir de médium para alguma entidade. Eu já sabia que o kardecismo ensina-nos que todos somos seres dotados de mediunidade, mas eu me considerava muito mundano para desenvolvê-la. Não que eu não acreditasse na influência das "inspirações" do Espírito Santo, mas sentia-me "indigno que habitásseis em minha morada". Para mim, só quem já tinha vindo ao mundo com "superpoderes" teria essa facilidade. Até eu perceber que não há poder maior que o de ajudar a um irmão da Terra a encontrar a paz e ser feliz, de amar e viver a vida com amor. Pode parecer piegas, mas quem já passou por uma crise, seja de saúde, existencial, afetiva, financeira ou familiar, sabe como estar em paz com a vida faz toda a diferença.

Então, de coração aberto, decidi ir às giras, vestindo branco e pronto para abraçar com gratidão a possibilidade de trabalhar minha espiritualidade. Ao contrário de muitos que manifestam seus dons mediúnicos e são "intimados" a vestir branco, eu, embaraçado e levemente envergonhado, pedi autorização da Mãe de Santo para poder vestir branco e participar de sua corrente. A entidade do meu atual Padrinho já havia dado pequenas indiretas-convite, mas por ser grande amigo fora do círculo, meu ceticismo falava mais alto (e a timidez recalcada também). Além disso, sentia em meu coração que só seria digno se eu assumisse o compromisso em meu peito, frequentando regularmente e pronto para participar das atividades que nos fossem propostas, sem dar muita chance para preguiça ou comodismo, que surgem mesmo após meses e anos de Umbanda. No meu caso, por ter histórico de fogo de palha, uma grande barreira pessoal a ser vencida.

O primeiro sinal "sobrenatural", além das ajudas nas causas desde que vim ao mundo, talvez tenha sido uma gira que fui, como assistência, nome dado aos que buscam axé de uma casa, e durante o passe, Neide, uma irmã de corrente, passara incorporada e colocara a mão sobre a minha. Eu fechei os olhos e senti um calor esquentar meu dedo mínimo e anular da mão direita. Abri os olhos achando que fosse uma vela. Mas nem Neide nem vela alguma estavam ali.

Certo dia, em uma gira de cangaceiros, falange que trabalha com espíritos desse povo sofrido e injustiçado (independente de julgamentos sociais), pedi licença à Dona Maria Rosa, líder da falange de cangaceiros de nossa casa, para eu entrar na corrente. Ela nem precisou dizer sim com todas as letras e eu já estava agradecendo e voltando pro cantinho. Depois, perguntei ao então Capitão Saulo, grande incentivador para que eu desse esse passo, se eu precisava pedir autorização pra Vó Maria do Rosário e Cabocla Jurema. Ele deixou-me tranquilo por eu já ter recebido autorização de uma das entidades da Mãe de Santo.

Embora, como muitos, eu já tivesse ouvido falar de Jung e de suas teorias sobre os arquétipos, nunca havia lido uma obra sua. Ali pude vivenciar suas observações desse campo do saber e experienciá-las na prática. Pois os símbolos maiores fazem parte de nossa alma. E despertá-los é uma tarefa que exige paciência e coragem. 

Relaxar a mente é um primeiro passo para que as entidades possam vir e nos acolher em sua vibração. Eu, curioso de primeira jornada, tentava entender tudo e criar relações instantâneas com modelos pré existentes em minha mente, fazendo uso das âncoras que me ligavam à realidade comum e, desta forma, estar "com um pé na realidade" antes de sentir alguma coisa. Mas eu estava enganado. A realidade espiritual é a mesma realidade que chamamos de "comum", mas com uma visão um tanto mais abrangente.

Mandynha, Capitã e filha da Mãe de Santo, auxiliava-me para que eu tentasse sentir as vibrações durante as primeiras giras. Ela, mesmo sem eu falar nada, dizia-me que eu precisava esvaziar a mente para que a energia pudesse fluir. Alguns amigos começaram a dar dicas de como fazê-lo, como prestar atenção apenas no atabaque para tentar silenciar a mente. Assim, numa gira de ciganos, desacelerei meus "achismos" e apenas escutei o som dos atabaques quando sinto um impulso tomar meu braço direito e erguê-lo. "caralho", pensei eu. Depois da gira, embaraçado, perguntei para Eduardo, se o que eu havia sentido era uma Pomba Gira Cigana, pois era o ponto que estava tocando era delas. Ele riu e disse pra eu ficar tranquilo que era apenas a vibração de meu Cigano. Hoje vejo que esse meu preconceito machista era bobo, posto que, para um espírito, nossos conceitos sexualistas são irrelevantes para o astral, na forma como delimitamos a questão. As energias possuem diferenças, nas formas feminina e masculina, mas estão longe de ser uma discussão sexual.

Nas giras seguintes, depois daquele "toque do além", fiquei mais relaxado e as âncoras dos paradigmas banais foram sendo içadas. O primeiro escudo diluiu-se ao estar ali com a mente aberta, neste simples ato de fé. Sem acreditar, nada seria possível e também não adiantaria muito dar o primeiro passo. Aliás, deve ser meio sufocante viver uma vida sem acreditar nas escolhas que se faz. Embora, como diria uma amiga, mesmo quando escolhemos uma coisa "errada", naquele momento era a escolha mais certa que poderíamos fazer, dentro do que era possível. E, como parafraseava outro amigo, "não sabendo que era impossível, ele foi lá, e fez".

O fato da casa se chamar Terreiro da Vó Maria do Rosário é algo que me transmite paz. Desde meus primeiros anos da vida adulta, cultivei o hábito de rezar o terço para afungentar maus pensamentos. Acredite, não é fácil concentrar-se nas orações e pensar mil coisas ao mesmo tempo. Nunca poderia me proclamar um católico fervoroso, mas esse hábito das rezas ajudam a acalmar o espírito, além de trazerem uma boa proteção e permitirem uma conexão com as "coisas do Alto".

Em uma gira de esquerda, enquanto me posicionava para tentar perceber e receber a vibração, eu senti um tremelique "pegando" minha espinha dorsal e tomando meu corpo. Agarrei-me nas mãos da Mandynha e com um riso bobo admiti estar com medo. Ela sorriu tranquilamente e disse-me para respeitar meu tempo.

Gira vem, gira vai, só o fato de eu não ter desistido logo de cara pra mim já era uma grande transformação. Meus pais lembram com dor no bolso dos cursos de flauta doce, caratê, escotismo, que tentaram me proporcionar sem muita perseverança da minha parte. Até hoje não sinto muita maturidade e nem determinação com meus objetivos profissionais, parei a faculdade de Arquitetura nos primeiros anos e a de Engenharia Eletrônica logo depois da curva dos 50%. Mas seria ingênuo da minha parte ignorar que todo o conhecimento acumulado me permitiram uma visão de mundo muito mais ampla e complexa. Posso, como a maioria dos profissionais que se formam, acabar preenchendo planilhas de importação de componentes ou fazendo relatórios meramente burocráticos, mas o conhecimento é um tesouro pessoal que fica reservado para ser utilizado com sabedoria. E a vida não se ampara somente em um pilar. É preciso trilhar muito chão para conseguir manter os pilares em equilíbrio.

Esse aprendizado de humildade (nem que seja na marra) e de sabedoria, vem muito pelo axé de nossos Pretos Velhos, Caboclos e Erês, falanges que representam os três pilares da Umbanda. Pretos Velhos são símbolo da sabedoria adquirida através da provação e da dor, muitas vezes através da abnegação involuntária que a vida lhes propunha em sua jornada evolutiva. Caboclos, são luz e força para encaramos as demandas que a vida nos traz. Reforçam-nos e nos protegem para que, de peito aberto e cabeça erguida, possamos dar passos firmes em nossos caminhos. Erês, são a sabedoria pura das crianças, que nos trazem a verdade de forma sutil, alegre, quase boba e, às vezes, direta e franca, arrancando sorrisos de quem as escuta. Demonstram a força da coragem espontânea e autêntica desses pequenos grandes seres de luz. Assim, pelo axé do novo, do atual e do velho, recebemos as dicas e puxões de orelha para que cresçamos para uma vida saudável.

E, em uma gira de preto velhos, eu que ficava só no círculo externo da corrente, mentalizando boas energias para os que ali vinham pedir auxílio espiritual e cura, estava com as mãos prostradas em firmação da corrente, enquanto os pretos velhos da casa trabalhavam no meio. Cantava os pontos e batia palmas. Então, meu Pai Pretinho, como chamo carinhosamente o Preto Velho que me acolheu em seu axé, mas que ainda não sei seu "nickname", resolveu se manifestar. Senti os "tremeliques", fui relaxando o corpo e quando ele ergueu o punho direito como se eu/ele segurasse uma bengala no ar, olhei surpreso para meu braço erguido e, internamente, pensei "caraca véio...". Os Capitães conduziram meu Pai Pretinho para trabalhar nos que estavam no meio buscando ajuda. E, assim, com a benção de Oxalá, nosso Altíssimo, recebi a primeira incorporação plena do meu velho sábio protetor. Ou, como diria ironicamente uma Mãe de Santo da região quando alguém se empolgava em relatar essas apaixonantes revelações, "Parabéns, filho, você descobriu que é médium...".

Nos dias seguintes, passei a procurar um pedaço de pau pra fazer uma bengala pra ele. ^^

Adorei as Almas! Saravá "meu" Preto Velho de coração!





quinta-feira, 14 de maio de 2015

Token Minds - a abordagem inicial

A simples manifestação de Glamour é em si uma fonte interessante de qbits qualitativos.
Tendo constatado o brilho que move centenas de pessoas através da experiênciação transcendental, somado às singularidades fenomênicas, delimitei uma nova Gema a ser observada.

Token Minds :: Palazzo TMR = New Orbe(Afrika Roots)

A Orbe Afrika Roots remonta às origens de nossos símbolos ancestrais, incrustados no inconsciente de cada brasileiro, seja através do folclore, crenças individuais ou valores que foram incorporados ao dia a dia.
 
O resgate dessas relações arquetípicas propiciou uma jornada própria de descobertas interiores, resultando no amadurecimento de uma proto sabedoria, sendo reforçado por um crescente auto conhecimento.
 
A jornada em questão é um caminho longo, que revelou-se infindável, na verdade. Mas o prazer dessa caminhada faz desse abraço uma feliz escolha. Há várias formas de se enxergar a vida, de olhos fechados, inclusive. Uma delas é a gema preciosa que tento representar simbolicamente nestes textos.
 
Não sou dono da verdade, exceto da minha própria verdade. Dessa, aos trancos e barrancos, tento ser um fiel defensor.

Se uma Orbe representa as distâncias simbólicas entre o ser e o não ser, o Palazzo mostrou-se muito mais abrangente e complexo que a simples parametrização idiossincrática de uma gema. 
As iterações decorrentes nas diferentes Orbes, cada ciclo de realimentação dentro deste escopo, possibilitaram uma sutil percepção das Funções de Transferência entre o Real e o Imaginário, mostrando como é dinâmico o Espaço de Estados deste Palazzo.
Seria pretensioso querer expandir tais relações para um Gaia State Map, dadas as peculiaridades dessas iNterações entre as Orbes. Mas a linearização das Paralaxes, talvez permita uma aproximação com os modelos ancestrais, levando à síntese de um AscentiaStream significativo.

Token Minds :: New Gem(Pena Verde)

Os caminhos da Umbanda reservam mistérios aos seus adeptos, que se revelam à medida que nos tornamos preparados para assumir as responsabilidades dessas revelações.

Lápis filosofal




To all the brave men and women, humble or learned, who have the moral courage during seventy years to face ridicule or worldly disadvantage in order to testify to an all-important truth. March, 1918

CHAPTER I.

THE SEARCH

The subject of psychical research is one upon which I have thought more and about which I have been slower to form my opinion, than upon any other subject whatever. Every now and then as one jogs along through life some small incident happens which very forcibly brings home the fact that time passes and that first youth and then middle age are slipping away. Such a one occurred the other day. There is a column in that excellent little paper, Light, which is devoted to what was recorded on the corresponding date a generation—that is thirty years—ago. As I read over this column recently I had quite a start as I saw my own name, and read the reprint of a letter which I had written in 1887, detailing some interesting spiritual experience which had occurred in a seance. Thus it is manifest that my interest in the subject is of some standing, and also, since it is only within the last year or two that I have finally declared myself to be satisfied with the evidence, that I have not been hasty in forming my opinion. If I set down some of my experiences and difficulties my readers will not, I hope, think it egotistical upon my part, but will realise that it is the most graphic way in which to sketch out the points which are likely to occur to any other inquirer. When I have passed over this ground, it will be possible to get on to something more general and impersonal in its nature
(...)
Each man in his egotism may feel that he ought to survive, but let him look, we will say, at the average loafer—of high or low degree—would anyone contend that there was any obvious reason why THAT personality should carry on? It seemed to be a delusion, and I was convinced that death did indeed end all, though I saw no reason why that should affect our duty towards humanity during our transitory existence.